Blog do Pompeu

Ética e outras coisas

Fui censurado

Fui censurado (veja a notícia). Uma palestra minha no IEMA em Vitória (ES) foi proibida pelo Secretário de Meio Ambiente pouco antes do evento. Falaria de ética no serviço público. Mais precisamente de Maquiavel e do conflito ético entre princípios e responsabilidades. Isso assustou o Secretário. Achou que eu falaria mal do governo ou, quem sabe, dele. Não falaria. Dou palestras, não faço fofoca em público. Em todo caso, fiquei lisonjeado. Afinal, censurar-me significa aribuir às minhas palavras um poder, um potencial perigo que, realmente, acredito que não tenho.

Agradeço a importância que me foi atribuída, realmente nunca pensei que um Secretário de Estado fosse se preocupar com uma palestra minha. Mas, apesar da lisonja, a censura é preocupante. Censura é ato autoritário, coisa incompatível com nossa experiência democrática atual. Ditaduras censuram, torturam e matam porque tem medo. Medo de armas e revolucionários, medo de opositores e dissidentes, mas também medo de poetas, músicos e filósofos. Ditaduras não sabem o que é diálogo, a comunicação é apenas de mão dupla: governo manda, povo obedece. Qualquer coisa diferente, deve ser eliminada.

Claro que o governo Casagrande não é uma ditadura. Não manda torturar e nem matar ninguém e duvido que um dia o faça. Mas isso não o impede de apresentar alguns traços autoritários. A censura é um deles. Quando renunciei à presidência e ao mandato no Conselho de Ética,o fiz pela falta de diálogo com o gabinete com o Governador. Em outros órgãos da administração tembém há reclamações de falta de diálogo no governo. Dizem que do Palácio só há boca para ordenar e faltam ouvidos para escutar.

Conheço o governador Casagrande tanto quanto ele me conhece, ou seja, somos praticamente estranhos um para o outro. Mas a imagem que faço dele é incompatível com a de um autoritário. Espero,sinceramente, que estes arroubos de falta de diálogos e censuras (a mim e a qualquer outro) sejam coisa de maus conselheiros ou de desorganização pura e simples. Este governo foi fruto de eleições livres e democráticas, espero que honre esta mesma liberdade e democracia e abra mão de censuras e outros autoritarismos.

Lançamento do livro Somos Maquiavélicos, na Casa do Saber do Rio



Após o carnaval, lançamento também em São Paulo e em Vitória.

Novas palestras no site

Novidades no site  pompeu.org. Está disponível o áudio de palestra sobre a existência de Deus, segundo a Filosofia. Participa, além de mim, o professor Clóvis de Barros Filho. Acesse em http://goo.gl/5nXTI

Parece engraçado, mas não é

O segundo turno desta eleição não deixará saudades. No acirramento dos discursos, que foram de aborto a bolinhas de papel e terminaram com mensagens preconceituosas contra nordestinos no Twitter, acabaram por trazer à tona um novo preconceito: pobres X ricos.

Isto não é novo. Veja, por exemplo que existe o termo nordestino, utilizado muitas vezes de modo pejorativo. Em contrapartida, não existe o sudestino. Há muito nos vemos como iguais, mas divididos em grupos, raças e regiões. Discriminamos pelos motivos mais estpafúrdios e, quando denunciado o preconceito, o negamos. Trazê-los à tona é o primeiro passo para combatermos essa e outras chagas como a homofobia, o racismo e a intolerância religiosa.

Abaixo, dois vídeos. O primeiro, de Marcelo Adnet no Comédia MTV (muito bom, por sinal), denuncia com humor e ironia. O outro, de Luiz Prates, comentarista  no jornal regional – SCTV – da RBS, filiada da Globo em Santa Catarina, é demonstração explícita e trágica de nossos, até então, pouco explicitados preconceitos.

Os vídeos são contribuição de Breno Costa, um dos melhores criminalistas do Rio de Janeiro.

 

 

Só um comentário sobe Luiz Prates: O que me espanta, não é permitir que qualquer analfabeto tenha carro, mas dar microfone a qualquer fascista que queira propagar discurso de ódio.

Veja também a repercussão do caso no Congresso Nacional

Palestra transmitida ao vivo pela internet: Luz na Crise – Foucault, Deleuze, Derrida: pensamento rebelde e heranças cruzadas – Elisabeth Roudinesco

Palestra com Elisabeth Roudinesco, ao vivo, foi transmitida pelo site da CPFL Cultura e pelo Pompeu.org/moodle a partir das 18 horas do dia 01 de junho. Em breve será inaugurado no pompeu.org/moodle uma página de vídeos. Será o videocast deste blog. Aguardem! Saiba mais

Entre imperadores e súditos

Em 2001 fui convidado para um jantar. Festa de gente chique, disseram. Era o aniversário de uma revista de sociedade. Ambiente estranho para mim. Fui assim mesmo, afinal, a comida era de graça. Mal cheguei fui apresentado ao então Presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Gratz. Seu lema de campanha era: conheceu, ficou amigo. Era verdade. O sujeito era mesmo simpático. Como um astro, ele agregava gente sorridente à sua volta. O olhavam com admiração. Tempos depois o vi novamente, agora ex-deputado, cassado, condenado por crime. Não havia mais séquito em volta. O astro perdera sua atração gravitacional. A imagem era meio triste. Continuava simpático, porém. Saiba mais

Café Filosófico

Qual tema você prefere para o próximo Café Filosófico na BAUHAUS? Vote em: http://twtpoll.com/7wt9wi

A última noite de Valdomiro

Valdomiro tirou, a contragosto, dez reais do bolso e os colocou, num tapa, em cima da mesa metálica da birosca – Maneco, traz mais uma rodada prá gente. Mas vê uma gelada de verdade, pô!. Perdera um “tudo ou nada” na porrinha após dez rodadas invicto. Os amigos se fartavam com a derrota convertida em cerveja. Gritavam e batiam na mesa provocando Valdomiro com tanta empolgação que mal perceberam os policiais que, rapidamente, deixavam a viatura ainda em movimento. O sargento, de arma na mão, deu um tapa na orelha esquerda de Valdomiro enquanto gritava – CADÊ A BICICLETA, PORRA! CADÊ, VAGABUNDO! Saiba mais

Fé demais

Edison doou praticamente todo o seu patrimônio à Igreja Unversal do Reino de Deus. Recebeu em troca um diploma de dizimista assinado por Edir Macedo e Jesus Cristo. Depois arrependeu-se da doação. Agora a discussão é se ele foi ou não um otário. Saiba mais

Um novo Código de Ética para o Senado

O Senado tem um Código de Ética ou algo parecido. Pelo menos é o que eu suponho. Confesso que não o conheço, mas imagino que, a julgar pelo histórico dos julgamentos por falta de decoro parlamentar, não seja muito levado a sério. Para absolver seus compadres e ainda por cima dar satisfações para a imprensa chata, nossos honrados senadores acabam tendo que abusar da criatividade em malabarismos legais que nem sempre convencem. Pois para ajudá-los, apresento este projeto de Código de Ética, feito de acordo com o espírito moral de nossos senadores. Saiba mais

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