Razão Impura

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Ano Novo, Educação Velha

Publicado por Pompeu em Fevereiro 26, 2007

Este é o título mesmo. Não é reedição, erro e nem trambique na postagem do blog. Também não sou chinês, que comemora o ano novo quando comemoramos o carnaval o que, aliás, acho muito sábio. É que, convenhamos, o ano só começa mesmo é depois do carnaval, aliás, na segunda-feira depois do carnaval, afinal, carnaval cansa e começar o ano cansado não é uma boa. Ninguém começa nada sério antes do carnaval. Por exemplo, a programação de 2007 da Globo, da MTV e do Universal Channel, só pra ficar com uns poucos canais que eu assisto, só estreiam sua programação em março. O governo Lula vai pelo mesmo caminho. Novo ministério só depois do carnaval.
Nenhum presidente reeleito é obrigado a refazer ministério. Mas o Lula disse que o faria. E isto faz de todos os seus ministros interinos em potencial. Claro que alguns deles são tidos como mais estáveis do que outros, mas já dizia Tancredo Neves que política é como nuvem e nada garante que a atual estabilidade resista à pressão pró-boquinha da tal da base aliada. Das pressões a mais forte parece que vem do PT, querendo um empreguinho pra Marta Suplicy, como dizem, um grande quadro do partido. A primeira tentativa foi justamente no Ministério da Educação, que já está no terceiro ministro do governo Lula. Até agora o atual (qual o nome dele mesmo?) vem se mantendo. Parece que o seu grande trunfo é um pacote para a educação que será apresentado em março, quando começa o ano. Mas sabe como é, até lá, política é como nuvem. Vai que Marta bate o pé ou algum outro grande quadro desempregado cisma em ser Ministro da Educação?

Estamos no terceiro ministro e este é o terceiro pacote para a educação. Parafraseando Lula, nunca antes na história deste país estivemos tão perdidos em termos de educação. Vivemos um momento em que sequer um projeto ruim nós temos, não há projeto algum. As principais questões sobre educação raramente são discutidas, ficamos só na superfície, na firula, no marketing. Na última ameaça de reforma universitária, por exemplo, a única coisa discutida nacionalmente foram as cotas. Na UFES, por exemplo, eu vi dois grupos de manifestantes, um pró e outro contra, evidentemente. Perguntei para um manifestante de cada grupo de quantas manifestações pela educação ele havia participado na vida: nenhuma. Eu sei que um entrevistado não é uma amostragem significante, mas se eu tivesse feito cem entrevistas creio que chegaria ao mesmo resultado, só que com mais perda de tempo e mais base científica. Os que defendiam quotas eram negros ou alunos de escolas públicas, do outro lado, brancos de escolas particulares. Cada um defendia a sua vaga, usavam argumentos para dizer: por que ele e não eu? Nenhum deles falava de educação. Mesmo nos conselhos da UFES, dos quais participei, poucas vezes a pergunta posta em discussão era: o que é melhor para a educação superior do país. Esta pergunta nunca é feita, seja quando a discussão são as quotas, financiamento da pesquisa ou mesmo o papel da universidade.

A educação tem sido tratada como ganha-votos de governo. Os pacotões para educação não são um projeto nacional, mas um projeto de governo. O que parece importante é que tenham uma sigla própria, que pareça original e que gere bons noticiários, sempre embalados pelas expectativas em torno dos projetos e nunca dos resultados, uma vez que qualquer política em educação leva mais do que o período de um governo para mostrar resultados. Acho que esse é o problema. Educação ser demorada. Um príncipe investe nela mas não vê resultado, quando ele acontece, o príncipe é outro. É botar azeitona na empada alheia. Parece com aquelas obras de ponte no interior que se a oposição ganha, o prefeito dá um jeito de a obra parar, pois o importante não é a ponte, mas a inauguração dela.

Um partido insistir em ter um ministro só porque é um bom quadro é um absurdo. Que tal pensar em um ministro que tenha um projeto para educação, que não a trate como vitrine de votos, que aja de forma minimamente republicana com relação à educação? Eu nem sei o que vai pintar como pacote para educação, mas já estou com medo. Nem conheço o atual ministro (pelo menos ele parece melhor do que o Tarso Genro, que encontrou missão política mais importante do que não fazer anda no Ministério da Educação: presidir o PT durante a crise do mensalão). Mas conheço a política e tenho visto a importância que este governo e os partidos que o sustentam dão para a educação. Isto já é o suficiente para pânico. Torço para que não seja mais uma forma politiqueira e quantitativa de tratar a educação, que prometa criar não sei quantas mil vagas ou construir sei lá quantas escolas modelo, ao invés de preocupar-se com a qualidade da educação, com um monte de siglas novas, apresentadas em manuais incompreensíveis e cheios de frases tão bonitas quanto vazias como: lutar por uma educação inclusiva e qualitativamente cidadã. Já que não sou ministro ou mesmo um quadro 3×4 do partido, só posso reclamar e me conformar com o papel de torcedor, que espera que um dia bons ventos mudem as nuvens da educação.

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